terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

e eles aqui tão perto

mergulho no passado à hora do jantar.
recordações de infância, birras atrás de colunas, colos cheirosos e quentinhos, braços desastrados, sustos de matar, como no dia em que a glória morreu em cima dos pioneses e depois afinal não, mas veio ambulância e tudo.
saltitões com o "poder dos bichinhos", capaz de secar lágrimas e levar tristezas.
beijos com baton, treinados nos postes do recreio, choros, caracóis trazidos para casa aos pares - "ela" riscada com marcador cor de rosa, "ele" riscado a azul -, para morar numa caixa, alimentados a alface por uns dias.
palavrões recém apreendidos, amores traiçoeiramente apregoados no recreio, rir para não chorar.
jogos inventados para a longa história dos jogos: os papéis sagrados, o bife vegetal.
abraços repartidos, paixões confessadas a lápis, na parede de tijolo, por trás do candeeiro.
memórias tão nítidas contadas no passado, de quem ainda não passou a infância.

onde estava eu quando cresceste?

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