sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

o improviso de viver

Voltaremos muitas vezes a um jardim de plátanos
com o luar engatilhado nos olhos.
Dir-te-ei nomes de estrelas ao acaso,
como um desvio da fronteira desenhada ao redor de nós.


Lado a lado, iremos rever novembro pelas ruas,
devassando vigílias, cantando em surdina
a intimidade de sermos amantes,
neste percurso de pássaros subitamente em fuga.
As árvores são discretas.


Por isso, levar-te-ei para habitares comigo
o improviso de viver.
Estaremos em toda a parte.


Sobrevoaremos os espaços interditos
e seremos a notícia anunciada
pela voz indomável dos que ostentam na boca
a urgência dos beijos e do riso.



Vem comigo, amor.
No escuro chegaremos à fonte pelo cheiro da sede
e moldaremos na água a transparência dos momentos
em que a madrugada se comove.



Graça Pires

1 comentário:

  1. Cara Graça: poema bonito que transpira o delíquio de .todo o romantismo que eu adoro. É, no entanto, um poema de verso livre que, pessoalmente, não aprecio tanto mas que lhe não retira a substância. Escreva mais.

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