sushi. nunca comera.
durante muito tempo a comida dividia-se em dois géneros: a boa e a estragada.
a estragada não se podia comer embora às vezes se comesse.
a boa era toda a que não estava estagada. podia-se comer. às claras, às escondidas, com fome ou sem fome nenhuma, mas podia-se comer.
nunca ter comido sushi não era estranho. estranho era comê-lo porque aquilo não era comida.
o nome era giro. podia ser nome de bicho ou de flor mas não de comida. a boca fazia um movimento esquisito para dizer su-shi. era logo palavra que esvaziava e enchia a boca ao mesmo tempo: su-shi.
o sabor era de coisa boa, não por não estar estragado mas por ser bom.
desfazia-se contra o céu da boca com a língua para espalhar um sabor forte e doce
feito de cheiros, a terra, a mar e a fresco.
subia pelos maxilares, passava da boca ao osso e aparecia atrás das orelhas, num arrepio de riso desatado por dentro.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
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